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"Não é possível discutir sustentabilidade sem inclusão", diz ministra Tereza Campelo
"Não é possível discutir crescimento sem inclusão e sustentabilidade ambiental. Essas três questões caminham junto daqui pra frente", defendeu na manhã desta sexta-feira (27) a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Tereza Campello, durante programação do FST. Ela falou sobre as políticas públicas do governo federal para a superação da extrema pobreza e a inclusão social e produtiva e sobre o documento 10 pontos para uma Plataforma da Tecnologia Social, que vão orientar a gestão do ministério para estimular a economia solidária em comunidades quilombolas, indígenas e de pequenos agricultores no interior do país. "Virou palavra de ordem do Brasil crescer, incluir e preservar", complementou a ministra.
Tereza apresentou o painel 10 pontos para uma Plataforma da Tecnologia Social para combate da pobreza no qual ela comentou os instrumentos de tecnologia social que serão utilizados na gestão do Plano Brasil Sem Miséria. "Este é um documento bastante rico. Essa agenda é central hoje no Brasil. Temos que pensar em como replicar essa tecnologias sociais para atingir milhões e milhões. Essa política só será motor se os brasileiros forem incluídos aos milhares e não às dezenas", falou Tereza.
"A agenda da Rio+20 aborda claramente o desenvolvimento sustentável como sendo um casamento da pauta ambiental com a pauta social. Pela primeira vez deixa claro que não é possível discutir sustentabilidade sem inclusão, isolado do homem, até porque ele é o responsável por essa depredação do meio ambiente", disse Campelo.
Ministra anunciou construção de 60 mil cisternas
A ministra também comentou os reflexos da crise e alertou para o risco de retrocessos de direitos. "É um paradoxo. A crise é usada como argumento para que se restrinjam direitos sociais. A crise não pode ser motivo de retrocesso nas áreas de saúde, educação, luta pela igualdade social, na luta das mulheres. Não se pode aceitar que a crise seja usada para que não se avance na agenda ambiental. Não se pode voltar a usar tecnologias mais baratas e que são caras no longo prazo. Temos que estar atentos", analisou a ministra.
A sua fala foi direcionada para o evento Rio+20 e a atividade foi proposta pela Fundaçao Banco do Brasil. Na ocasião foi assinado um convênio de cooperação entre o MDS e a FBB de construção de 60 mil cisternas de placa que serão destinados aos estados que compõem o semi-árido destinado para consumo humano. Esse convênio faz parte do Programa Água para todos.
Debatedores defendem uso social da tecnologia
O professor da UNB Ricardo Heder, do Centro de Desenvolvimento Sustentável, apresentou o documento que relaciona as diferentes platafomar de tecnologia social que estão sendo incentivas pelo MDS em parceria com diversas organizações da sociedade civil. Ele falou que a intenção das tecnologias sociais é replicar as idéias bem sucedidas em outras comunidades. "É um esforço de autogestão dos grupos com uma nova cultura tecnológica, que mescla experiência com o conhecimento cientifico", destacou.
O representante da Fundaçao Banco do Brasil, Jorge Streit, ressaltou a importância de movimento contra hegemônico que se reúnem periodicamente para debater temas que precisam entrar nas grandes agendas tais como economia solidária, agroecologia, tecnologias sociais. Ele acrescentou que este documento foi construído por de diferentes movimentos sociais com participação popular entre eles, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Movimento dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC) e Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).
As tecnologias sociais podem ser explicadas como um conjunto de técnicas, métodos desenvolvidos em interação com a comunidade que apresentam soluções para tas demandas com povos quilombolas, indígenas e pequenos agricultores para que desenvolvam formas inovadoras de economias solidárias. "A tecnologia social rompe com a idéia de que a tecnologia convencional é a única forma de saber. A tecnologia social, às vezes, consegue dar respostas de fome mais adequada para as particularidades, por exemplo, de uma comunidade indígena no Maranhão. O que as tecnologias convencionais não conseguem oferecer", explicou Streit, acrescentando que esta tecnologia social pode ser entendida com a análise de quatro eixos fundamentais: protagonismo social, solidariedade econômica, respeito cultural e cuidado ambiental.
Às 18h desta sexta (27), a ministra Tereza Campello vai participar do debate Crise Capitalista mundial X Economia Solidária: alternativas. O Fórum Social Temático (FST) é um evento preparatório à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorrerá em junho no Rio de Janeiro.
A ministra também defendeu que a inclusão e combate a pobreza são motor do desenvolvimento sustentável. "Se eu incluir, eu cresço ? oposto do que se dizia na década de 1990 e do pensamento neoliberal. Os 16 milhões de brasileiros na extrema miséria não sairão de lá naturalmente com o crescimento do pais. Por exemplo, temos que preservar a Amazônia, mas 23 milhões de pessoas que vivem lá não podem ter o acesso ao desenvolvimento negados. Só vamos preservar a Amazônia se viabilizar as comunidades nesses biomas, caso contrário ela vai continuar sendo depredada", argumentou.
Ela também falou que não se trata somente de aumentar renda dessa populações isoladas, mas outras dimensões da pobreza também devem ser considerados, tais como o acesso à água e serviços públicos. "As comunidades tradicionais são as mais isoladas e produzem produtos de alto valor agregado que sao usados na industria de beleza e química, por exemplo. Temos que apoiar essas comunidades para que elas não percam seus valores, mas também organizando essas comunidades em cooperativa. É toda uma delicadeza, um trabalho que não é fácil, mas é uma agenda estratégica", disse Tereza.
Fonte: Sul 21
Foto: Ubirajara Machado/MDS
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