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11 julho de 2018

ARTIGO: Venda da Embraer é traição ao Brasil

 

Por Henrique Fontana, deputado federal (PT-RS)

As grandes potências sempre fizeram política industrial e, com isso, desenvolveram empresas líderes nos diferentes setores da economia global. Nos anos 60, os japoneses iniciaram este processo. Os coreanos nos anos 70 e os Chineses nos anos 80. Deste esforço construíram empresas como a Sony, Honda, Hyundai, LG, Huawei e Hisense – só para citar duas gigantes de cada um.

A participação do Estado para manutenção de empresas líderes e estratégicas ao desenvolvimento acontece cotidianamente, inclusive em países que querem vender uma imagem de “liberais”, como ocorreu com os Estados Unidos em 2008, quando o Governo Obama salvou a GM da falência e evitou a sua desnacionalização.

No Brasil, o ilegítimo governo Temer caminha no sentido oposto e está destruindo a política industrial construída nos governos Lula e Dilma. Temer propõe a privatização de partes da Eletrobras, já entregou ativos da Petrobras e reservas de petróleo do pré-sal e, agora, aprova a venda da Embraer para a Boeing.

A fabricante de aviões é a única empresa privada brasileira com efetiva relevância no setor de manufatura de alta tecnologia, ocupando a terceira posição no ranking mundial do seu setor. Além disso, é um dos maiores empregadores de engenheiros, mantendo no seu entorno um complexo sistema de inovação – apoiado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Centro Técnico Aeroespacial (CTA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), incubadoras e parques tecnológicos.

A atratividade da empresa cresceu nos últimos anos após o desenvolvimento da família de aviões E-Jets, com aeronaves de 70 – 130 assentos, do cargueiro militar KC 390, bem como dos aviões para a aviação executiva Legacy e Phenom. Toda esta expansão sempre contou com a visão estratégica dos nossos governos, seja pela concessão de linha de crédito do BNDES, financiamento do programa de desenvolvimento do cargueiro KC 390, inserção da Embraer no projeto para fabricação de caças militares avançados e no programa de desenvolvimento de tecnologia de satélites.

Um governo minimamente comprometido com o Brasil tem que vetar este negócio e garantir o fortalecimento da Embraer, apoiando a sua expansão empresarial em áreas estratégicas do setor aeroespacial, incluindo o militar. Desta forma, teremos impactos positivos na engenharia nacional para gerar inovação e apoiar a garantia da soberania nacional. Concordar com a venda da empresa para a americana Boeing será um ato irreparável de verdadeira traição ao Brasil.

 

Artigo publicado originalmente no Sul 21 – https://goo.gl/wZoXT5